Mercadores de promessas...
Eis que um novo ano eleitoral vem
chegando, edis e alcaides se alvoroçam, começam a chegar de mansinho, pé por
pé, vão se encostando, se aproximando das pessoas mais bem relacionadas no
bairro, pastores, atletas de fim de semana que gostam de bater uma bolinha,
rodinhas aqui, rodinhas ali, repentinamente um churrasco na casa do fulano,
confraternização na casa do sicrano e do beltrano, tapinhas nas costas e
showmícios com foguetórios e tudo o mais que
possam inventar para se aparecer. Os de primeira viagem vem sempre com
algum mais experientes e os que querem a reeleição se fiam nas promessas
feitas, não cumpridas, mas que são renovadas agora com ênfase, não foram
cumpridas por isso, por aquilo, as mais esfarrapadas desculpas. O nobre edil ficou lá por quatro anos, o
bairro é o mais abandonado na cidade, não tem buracos na rua e sim pedaços de
rua nos buracos, mas agora vão ser asfaltadas com pedrinhas de brilhantes
inclusive, promete o cara de pau.
Chega o dia do pleito e lá vai o
eleitor que se acha o cidadão, enquanto nada mais é que massa de manobra,
eleger ou reeleger o dito cujo porque o mesmo lhe prometeu um emprego, um saco
de cimento ou meia dúzia de telhas de amianto e lasca mais uma vez a vida dos
outros habitantes da cidade, passeatas e carreatas, festas, alegria, um pouco
de circo, as vezes pão, diplomação, posse e logo tudo estará do mesmo jeito que
sempre estivera, nada muda, nada acontece de bom, apenas as acusações de
desvios de verbas, cascalhos e viagens para cursos de especialização em
administração pública que nem sempre acontecem ou não são frequentados, era só
uma desculpa da indústria do turismo, mas o cidadão pagador de impostos, arca
com o ônus das viagens quer queira quer não queira.
Feita essa reflexão, é hora de
pensar o que queremos, o que faremos e como faremos, se é que queremos mudar
alguma coisa. Não há uma receita certa pois as variáveis são muitas, mas o
primeiro passo é analisar bem o perfil do referido candidato, já dizia alguns
antepassados meus , “digas com quem tu andas e eu te direi quem tu és”, por
mais limpo que seja alguém, se se mistura com os enlameados, logo estará
enlameado também, procure por aquele que vem sozinho com a cara e a coragem, e
boas propostas, vote nele, dê-lhe uma chance, pode ser que não faça nada, mas
os outros que lá estivem também nada fizeram, mas pode ser também que o não
profissional venha a lhe surpreender. Lembrem-se, você nunca conseguirá mudar
algo, obter resultados diferentes, se sempre fizer do mesmo jeito.
Em suma, as mudanças estão aí,
tudo muda, a todo tempo. As bases devem ser sólidas e estáveis, todavia as
mudanças para melhor tem que ser buscadas, almejadas e conquistadas.
Pensem: os únicos que não queremos ver substituídos,
são nossos pais e nossas mães, de resto, toda mudança torna-se benéfica para
alguém, quando ninguém estiver chorando, você jamais conseguirá vender seus
lenços, assim como o fundo do poço não é o pior lugar, lá no fundo, quando se
toca, você consegue firmeza para ganhar impulso suficiente para emergir, no
meio do poço você só se cansa e não tem progresso.
Nilson Ribeiro
Biografia;
Nilson Ribeiro é paulista, 60 anos, Analista
de Sistemas formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Centro
Universitário Módulo de Caraguatatuba e Jornalista com registro profissional no
Ministério do Trabalho nº 0089290/SP.



